domingo, 26 de abril de 2009

A fôrma de pudim

Como fazer com que todas as pessoas que caibam na fôrma de pudim?
A fôrma é o modelo ideal, aquele que idealizamos para a pessoa perfeita, que se encaixa nos nossos desejos.
Quando as expectativas não se realizam, ficamos frustrados.
Mas as pessoas não são todas iguais, mesmo quando tratadas da mesma forma.
Por exemplo, os filhos. Mesmo usando das mesmas técnicas de educação, eles saem diferentes uns dos outros. Comparando com o pudim, uns cabem na forma, outros vazam um pouco, uns ficam encruados, outros ficam macios e doces. Usando a mesma receita, os mesmos ingredientes, não conseguimos os mesmos resultados.


Aí, vem as comparações: fulano fazia assim, você precisa ser igual a ele! Como seu irmão é bonzinho, olha como ele faz!, Você precisa estudar e ser obediente como seu irmão!
Isso não acontecia comigo, quando meu irmão nasceu, eu já era grande. Mas tenho certeza que acontecia com ele. Enquanto eu era a melhor aluna da escola, ele só fazia lição apanhando.
Minha mãe ficava irritada, brigava com ele, mas ele só fazia o que queria. Agora ele é um bom menino, mas não sei se serviu na fôrma de pudim dos meus pais. Aliás, nem eu sei se servi.
Quando temos filhos crescidos morando conosco, a situação ainda é pior, pois os conflitos de relacionamento aumentam. Pensem, vários adultos na mesma casa, dividindo tudo, só pode resultar em tumultos diários e constantes.


Eu percebi que a melhor solução é jogar fora a fôrma de pudim e aprender a conviver com as diferenças, mas ainda não sei a formula para isso, quem souberque me conte!

sábado, 11 de abril de 2009

Paixão


A paixão é como uma doença ou uma droga, que tem efeitos bons enquanto dura e ruins depois que o efeito passa. Durante os primeiros momentos, a paixão é como um fogo que consome por dentro, faz sentir bem, é como uma droga de efeito prolongado.
Mas, depois de um tempo, é possível começar a sentir os efeitos colaterais da droga. Se no início a euforia e a felicidade dominam o ser apaixonado, a qualquer deslize, vem a sensação de traição, frustração e a maior dificuldade, conviver pacificamente com a pessoa amada. Os atritos, brigas, desavenças deixam o apaixonado arrasado, destruído, em crise de abstinência.


Meus filhos sofrem muito com a temida doença, choram trancados no quarto, batem o telefone, gritam e esperneiam com os namorados e deixam de fazer as coisas que devem por causa das tristezas desse amor fugaz. Fica a frustração, a sensação de não ter o desejo atendido.
Passadas as magoas, a alegria volta a tomar conta dos cantinhos dos seus quartos, o humor melhora, o mundo parece caminhar de forma mais harmoniosa.
Já passei por tudo isso, chorei, esperneei, gritei, sofri, sentir dor no peito, aperto na garganta, vontade de morrer, vontade de esmurrar alguém, mas passou. Foram tempos difíceis, mas cheios de energia, como se uma força maior do que tudo me dominasse, me fazendo adorar aquele individuo que parecia ser o ultimo no mundo, impossível de largar, impossível de viver sem, era meu oxigênio, sufocante quando não tinha.

Quando a paixão acaba, fica a amizade e o amor. É isso que faz a convivência melhorar, os nervos se acalmam, os parceiros se sentem mais a vontade para falar sobre os sentimentos, para dividir as angustias, para respeitar a liberdade do outro e contar com o seu apoio.
A tempestade já passou, deixando saudades daqueles momentos turbulentos e apaixonantes, dos tempos em que tudo era feito pela primeira vez, dos amores impossíveis, dos arrepios e suspiros, dos beijos alucinantes.
Os momentos apaixonantes continuam, o amor fica.
É a cura da doença, o aprendizado de viver sem a droga ou não sofrer com os seus efeitos.

domingo, 5 de abril de 2009

Os prazeres proibidos


A nossa vida se resume a uma eterna busca pelo prazer. Até uma certa idade prevalecem os famosos prazeres da carne, comer, beber, rir, fazer sexo, etc. Depois, as pessoas parecem ir em busca de prazeres espirituais.
Ultimamente, eu estou abdicando de todos os prazeres, não bebo, não como, não pratico sexo, não dou risadas. estava nas minhas metas reduzir as bebidas e emagrecer, o que eu não sabia é os os outros prazeres vinham junto com o comer e beber, a vida social, amigos, namoro, momentos românticos, etc.
Bom, agora que estou virando uma santa, minha vida está completamente desprazeirosa. Isso porque a Páscoa está chegando e eu fico lembrando daqueles ovos trufados, bacalhoadas regadas a vinho branco, eu só penso em comer e beber.
Será que vou sobreviver à Páscoa?


Bom, com alguns poucos quilos e muitos momentos de prazer a menos estou conseguindo cumprir os meus objetivos.
E eu, que já era uma pessoa séria e mal humorada, fiquei ainda pior. Imaginem como vou ficar quando virar vegetariana! Socorro, me salvem, não vou conseguir viver dentro de mim...
Nessa caminhada, ainda não me inicei nos prazeres espirituais, mas em termos de stress virei mestra.
Como enfiei o pé na jaca hoje, estou mais feliz e bem humorada, até inspiração para escrever eu consegui. Bebi, comi e fiz outras cositas mais....agora, terei de compensar, de volta ao peito de peru, queijo branco e saladadinha.
Boa semana para todos, sem comida, bebida e com muito bom humor!