domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma odisséia no sofá


Ontem, assistindo ao clássico "2001 - Uma Odisséia no Espaço", refleti sobre algumas questões tão comuns em filmes de ficção cientifica das décadas de 60 e 70: as viagens espaciais e os avanços tecnólogicos.
Eles acreditavam que, nos anos 2000, estaríamos viajando pela galáxia, andando de carros voadores, usando roupas prateadas e sendo supervisionados por camêras 24 horas por dia. Em parte, isso é verdade. O romance de George Orwell (1984) em parte se realizou, pois somos monitorados por câmeras em todos os locais que frequentamos.


Mas as demais evoluções narradas por romances e filmes futuristas não passaram de ficção cientifica. Hoje, em uma época tão evoluída, estamos mais preocupados em salvar o planeta de uma desgraça ambiental do em construir espaçonaves para iniciar uma "Guerra nas Estrelas", afinal, acho que já temos guerras suficientes no nosso planeta.
Reduzir o consumo, utilizar combustíveis alternativos, reduzir a poluição, minimizar o efeito estufa e encontrar fontes de energias renováveis são questões mais prioritárias do que iniciar viagens intergaláticas.Enquanto nos filmes de ficção cientifica das décadas de 60 e 70 a busca era por vida fora do planeta ou pela conciliação entre os povos da galáxia, hoje, no nosso planeta, vemos muitas buscas pelas conquistas interiores, pela renovação, por novas atitudes e pela espiritualidade.
O que será que mudou? Será que não está lá fora o que buscamos? Será que temos de mudar nosso estilo de vida antes de iniciarmos novas jornadas pelo espaço? Será que as respostas estão aqui mesmo? Será que é melhor consertarmos os nossos erros antes de buscarmos novas alternativas lá fora?

Pois eu acho que filmes como "Wall-e" e "O dia depois de amanhã" retratam bem melhor o futuro que nos espera se não mudarmos de atitude. Consumir menos, reciclar mais, utilizar embalagens retornáveis, gastar menos água, utilizar energia renovável. Senão, vamos voltar a idade da pedra.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Neuroses e manias

Eu já falei em outro post das manias que as pessoas desenvolvem por alguma coisa ou tema. Nesse post vou tratar das manias que as pessoas desenvolvem ao longo do tempo, tipo neuroses mesmo. Eu acho super engraçado ficar analisando essas coisas. Quanto mais a idade avança, mais manias e costumes burlescos nós adquirimos.
Eu lembro que eu e o Ronaldo ficávamos observando as manias da avó dele e eram muitas. Por exemplo colecionar saquinhos plásticos que fazia parte do hábito de não jogar nada fora, talvez porque na época dela as coisas não eram descartáveis. Ela reaproveitava tudo, um hábito saudável para o planeta.


O meu pai é o recordista mundial das manias. Pra começar ele carrega para todo lado uma maleta cheia de remédios e vitaminas, lá tem de tudo, anti-ácido, aspirina e todo tipo de vitamina e cápsulas de alho, barbatana de tubarão, cogumelo do sol, chá verde, asa de morcego e demais coisas gosmentas que podem fazer bem à saúde. Além disso, ele carrega a insulina e o álcool sempre que viaja. E, pasmem, ele coloca o álcool em um vidro de desodorante vazio. Certo dia, na minha casa, minha filha me perguntou: "Mãe, porque o seu pai guarda o desodorante na geladeira?". Aí eu expliquei que eram os medicamentos dele. Ao acordar ele segue um ritual sem fim, começando pela vitamina de frutas que costuma ser tão grossa que dá pra comer de colher. Come uma maçã por dia (já escreveram um livro sobre isso). Deve ser por isso que, com mais de 70 anos, ainda mantém um corpo em forma e está tão conservado.



Estou falando das manias das pessoas mais velhas do que eu porque reparei que estou indo para o mesmo caminho. Ainda não tenho muitas manias definidas, mas percebi que, a medida em que fico mais velho, já não gosto tanto de sair da minha rotina. Quando fico na casa de parentes, morro de saudades do meu cantinho, das minhas coisas. Eu adorava acampar, mas hoje não tenho mais interesse, só de pensar em largar o conforto da minha casa para me estressar em um camping com banheiro sujo e ficar com as roupas sujas de barro por vários dias sem poder lavar com sabão cheiroso e amaciante...nossa, realmente essa foi demais! É a neurose atingindo seu limite máximo...

Eu adoro fazer caminhadas em trilhas, desde que ao final da caminhada possa contar com um banho quentinho e uma cama com lençóis limpos. E com comida é a mesma coisa, eu não saio de casa para comer em restaurante "xinxilento", com comida ruim, prefiro comer em casa. Pagar para comer mal? Nem pensar.

Quando a gente é bem jovem e não conhece ainda as boas coisas da vida ou ainda não é neurótico, tudo é aceitável. Fazer mochilão (se bem que isso eu nunca fiz); comer coxinha na rodoviária; dormir no chão; usar a mesma roupa 50 vezes; comer miojo (agora eu odeio); usar qualquer coisa no cabelo e ele sempre ficar bonito; não fazer as unhas; ser rebelde, mesmo sem saber porquê; beber pinga com limão ou groselha (isso dá um porre!!), entrar de bicão nas festas; usar calça jeans o tempo todo, se possível rasgada e furada; ouvir músicas barulhentas; etc.
Várias coisas dessas eu não faço mais, algumas porque não gosto, outras porque agora devo ser uma pessoa respeitável e não posso mais usar o cabelo cor de rosa ou um piercing na sobrancelha.
Mas uma coisa é fato, as minhas manias estão evoluindo... e quem não tem as suas?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Tumultos familiares

Morar aqui em casa é sempre uma aventura. Tanta gente vivendo junto com vontades diferentes, gostos diversos e manias insuportáveis transformam a nossa convivência em um campo de batalha.
Eu reparei que os principais motivos de conflito são: alguém tenta te convencer que está certo, alguém deixa bagunça no banheiro, na cozinha ou na sala, ninguém leva a Bibi passear, o Dante tira a paciência dos mais velhos, os pais (eu inclusive)se metendo na vida dos filhos com bons conselhos ( o pior), o sabonete está cheio de pentelhos, a empregada estragou a roupa de alguém, enfim, infinitos existem motivos para conflitos.

Agora que o Ale tem o carro dele o estress comigo diminui, pois quando ele usava o meu carro a gente brigava mais.
Quando ele fala que vai morar sozinho eu sinto um misto de alegria com tristeza. alegria porque ele realmente compromete a paz nessa casa, ele é o meu filho mais contestador e briguento. Tristeza porque ele também alegra a minha vida, conversamos bastante, assistimos filmes juntos, compartilhamos várias coisas boas.
Por outro lado eu sempre achei melhor esse lado contestador dele do que o lado quieto das meninas, apesar das intermináveis discussões, eu sabia o que ele estava pensando, com elas sempre foi uma incógnita.

Uma família grande sempre é conflituosa, mas quando alguém vai embora a casa fica vazia e eu sento que está faltando algo. Quando a Camila estava aqui com a Attila a casa ficou bagunçada e eu sou neurótica, odeio bagunça, preciso me controlar para não me estressar quando vem gente de fora. As calcinhas da Camila no banheiro, os colchoes no chão, aquela confusão. Mas, quando eles foram embora, eu senti um vazio tão grande, demorou mais de uma semana para me acostumar.

é assim mesmo, os filhos vem, bagunçam a nossa vida, crescem e vão embora. Os pais ficam e devem agradecer e se alegrar com a companhia um do outro, é assim que deve ser, é assim que será. afinal, nós não somos apaixonados?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Maridos e mudanças

Hoje eu quero falar sobre os maridos. Eles não são todos iguais mas tem suas semelhanças.
O meu costuma ser divertido, amoroso, apaixonado, mas ultimamente ele está muito chato. Não me faz rir, só joga aquela droga daquele jogo o tempo todo. Isso está me fazendo odiar o Tolkien e suas magnificas criações. Na mesa, durante os almoços familiares, ele e o Alexandre só conversam sobre isso.

A gente costumava se divertir tanto juntos, mas ultimamente ando entediada. Talvez seja por causa do meu inferno astral. Sempre que antecede o meu aniversário eu fico aborrecida, querendo mudar tudo na minha vida. E isso inclui o marido...calma, não quero trocar de marido, quero que ele mude de atitude.

Mas as coisas não funcionam desse jeito e eu, com quase 40 anos, ainda não aprendi. Tenho que mudar a forma como vejo as coisas, como lido com as pessoas e situações, não posso esperar que as pessoas mudem. A atitude deve ser minha e não dos outros.
Eu devo procurar fazer a mudanças que acho necessárias para a minha vida (mais saúde, paz, menos stress, comilança e bebedeiras) e o resto que caminhe junto ou não.


As mudanças demoram a acontecer e eu devo ser persistente, por pelo menos 15 dias. Espero que consiga atingir os objetivos esperados e dar um novo rumo à minha vida.
Boa mudança para mim!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Dúvidas


Parece que tudo segue uma regra ou ficamos condicionados a certas posturas. Algumas coisas inesperadas ou que fogem a regra podem causar espanto. Estou falando de coisas bobas como, por exemplo, ficamos surpresos quando o mocinho morre no começo ou metade do filme, quando o filme não tem um final feliz ou quando os casais apaixonados se separam no final. Isso não é o que sempre acontece e, como ficamos condicionados a ver finais felizes e historias que dão certo, essas coisas tendem a ser inesperadas. Na vida real as surpresas são inevitáveis, finais felizes não são garantidos e os casais apaixonados nem sempre ficam juntos, então porque será que esperamos sempre um final politicamente correto se a vida não é assim?
Outra coisa que reparei é em relação às propagandas de cosméticos. As empresas anunciam cremes anti-idade com garotas maravilhosas de no máximo 30 anos. Aí, eu posso deduzir que o creme não funciona porque uma mulher dessa idade não tem rugas. Será que é preventivo? Porque eles não colocam mulheres mais velhas que estão bonitas e bem conservadas? .. e existem várias nessas condições.


Bom, pra fechar o dia dos questionamentos inquestionáveis e das dúvidas intermináveis, por que as pessoas eram tão bizarras nos anos 80?
Independente disso, eu adoro ficar vendo clipes daquela época e lembrar dos nossos cabelos armados, das roupas coloridas, era divertido combinar rosa choque com amarelo limão, armar o cabelo, colorir os olhos com sombras carregadíssimas e sair achando que estava abafando....

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

sonhos estranhos




Como os nossos sonhos são estranhos. Agora que estou dormindo o dia todo, estou vivenciando uma mistura de Salvador Dali, As aventuras do Barão de Munchausen, a Fantástica Fábrica de Chocolates e outras bizarrices só vistas em filmes psicodélicos e malucos.
Esses dias eu sonhei que viajamos, não me lembro para que lugar. Eu e a Bah em um avião e o Ronaldo e o Dante em outro. O avião era a coisa mais bizarra que já vi, era um avião gigantesco e com hélices de uma companhia aérea chamada Air Bombaim, a pintura estava toda descascada e as poltronas eram cadeiras normais com cinto de segurança.


O avião era tão grande que tinha cinema e terraços nas laterais. Eu fiquei apavorada ao ver o estado de conservação e já pensei que a viagem seria uma catástrofe, mas, ao decolar no meio das nuvens (estava muito nublado, com nuvens brancas) o avião nem balançou. apesar de não acionarem o aviso de apertar os cintos, eu sentei e coloquei os cintos preocupada com a Bah, que não chegava. Após a decolagem ela apareceu descabelada e de olhos vermelhos por causa da ventania, ela estava no terraço.
O avião era tão grande que possuía vários espaços vazios, ninguém ficava sentado, parecia mais um navio de cruzeiro e as poucas cadeiras estavam presas com parafusos no chão bem no meio do saguão.


Não lembro qual era o nosso destino e nem do desfecho do sonho, mas os detalhes do avião da Air Bombaim ficaram na minha lembrança, martelando o dia todo na minha cabeça. Muito bizarro!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O sofá

Hoje fui almoçar com duas amigas da outra gerência onde trabalhei. É sempre bom rever as amigas, eu sinto saudades daquele clima mais a vontade, do bate papo na copa, das risadas, dos cafezinhos, do sofá no banheiro.
É verdade, lá tinha um sofá no banheiro das mulheres, local de desabafos, conversas intermináveis, muitas gargalhadas, opiniões sobre roupas e outras bugigangas que umas ou outras vinham vender, aconselhamentos, palpites e principalmente, melhor lugar para fofocar. Quando a mulherada sumia das mesas era só ir ao banheiro, estavam todas lá. E o melhor é que os homens não podiam entrar para ver o que estava acontecendo, eu sei que eles morriam de curiosidade.
Bastava um olhar e esse era o sinal, todas para o banheiro. Trocas de roupa, retoques na maquiagem antes da happy hour, eu sei que aquele sofá testemunhou muita coisa.
Agora, sem mulherada e sem sofá, me resta escrever no blog.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A família


Agora é a mania do Facebook aqui em casa. Adicionar um amigo, baixar uma foto, procurar pessoas. Isso me fez lembrar de vários colegas perdidos no mundo e esquecidos no tempo.
Tentando encontrar velhos amigos, lembrei daqueles parentes que não vejo desde criança, seria incapaz de reconhecer na rua de tanto tempo que não vejo. Nem o nome completo eu me lembro.
É engraçado como as pessoas se distanciam. Após a morte dos meus avós, cada um foi para um lado e ninguém se viu mais.
Eu casei, meus filhos cresceram, vieram os "agregados" e minha família cresceu novamente, só que agora nós, eu e o Ronaldo, que somos o elo de ligação. Será que, com a chegada dos netos daqui uns 10 anos a minha casa será o ponto de encontro, assim como era a casa da minha nona?
Por parte da minha mãe, depois que o Osvaldo foi para os EUA, ficamos só nós e meus avós. Mas eles se foram, eu me mudei para Brasília e a distancia não permite mais os famosos almoços de domingo regados a vinho e muita conversa.

Até o meu pai, que se separou da minha mãe há mais de 20 anos, costumava participar dos almoços. eles nunca ligaram para isso, estavam sempre juntos mesmo depois de separados, mas é só amizade. Também deve ser difícil se separar totalmente depois de tanto tempo junto.
O mundo gira, a gente cresce, as responsabilidades aumentam, os papéis mudam e cá estou eu, no papel da nona... calma, a cara dela eu já tenho mas os netos, espero que só daqui uns 10 anos.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A saga do dedo quebrado ou do dedo sem unha

Depois de 20 dias, levamos o Dante para tirar o gesso do braço, resultado de uma fratura na ponta do dedo causada pela porta do carro do Paulinho (o Dante bateu a porta sem tirar a mão).
No dia 26 de dezembro, o Ronaldo levou o Dante ao hospital, esperou por mais de 1 hora, sem resultado. Foi em outro hospital, também não conseguiu ser atendido devido à fila. No dia 30 retornamos e finalmente conseguimos tirar o gesso do Dante.
O resultado do acidente foi uma unha preta, a coisa mais nojenta que eu já vi. Só de pensar que o Dante poderia passar cerca de 5 meses com essa unha me deixou horrorizada. Pensei em pintar as demais unhas de preto.

Conforme determinação do médico, sem piscina por pelo menos 10 dias. Dia 2, o Dante passou a tarde na piscina (esquecemos das recomendações) e a unha ficou branca.
Pensei: "Maravilha! Não preciso mais pagar manicure para o Dante, não terei de conviver com essa visão horrível e nojenta".
No dias seguinte, a parte branca parecia esverdeada. Nova saga até o hospital, duas horas de espera no sábado à tarde e o Dante perdeu a unha.
Eu não sei o que é pior, a unha preta ou o dedo sem unha, para o mim as duas opções são extremamente nojentas e apavorantes.
Vocês nem imaginam os calafrios que senti enquanto o médico tirava a unha dele. E ele não fez um pio, ficou quietinho, ainda perguntou ao médico se ele não ia atender o celular que estava tocando. Realmente ele foi corajoso, mas vai amargar alguns meses com o dedão sem a unha inteira (ela já está crescendo).

Marley e eu


Eu nunca tinha visto um cinema tão lotado de gente chorando! De qualquer idade, sexo, cor, raça, credo, impressionante como esse filme é comovente. Nos últimos momentos as pessoas estavam em prantos, o Dante chorou de soluçar. Chegou uma hora que ele me disse: "Mãe, eu posso chorar depois que a gente sair do cinema?". Mas ele não consegui segurar. Eles deviam vender lenço de papel ao invés de pipoca.
Mas é sempre bom ver um filme que consegue transmitir emoção, principalmente quando se trata de uma adaptação de um livro. Já vi outros que não conseguiram passar os sentimentos do livro para a telona, como O caçador de pipas ou o Código Da Vinci, que virou uma frenética correria de perder o fôlego.

Ao contrário, "Marley e Eu" tirou a essência do livro mesmo cortando algumas partes importantes, afinal, não dá para colocar tudo em um filme de 2 horas. A trilha sonora é muito legal, as emoções são intensas, rindo ou chorando. E é sempre bom ver historias de pessoas comuns nos filmes, ver que a vida pode ser emocionante e que os animais, que fazem parte desses momentos são tão importantes para nós.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Cão coragem




Depois de ler "Marley e Eu" eu percebi uma coisa: nunca tive um relacionamento tão íntimo com um cachorro. E eu sempre tive bichos em casa, desde a minha infância e aqui em Brasília eu comprei a Bibi.
Quando falo de relacionamento íntimo é em relação a rolar no chão com cachorro, deixar ele lamber a cara, dormir com ele. Eu sou muito neurótica com limpeza e nunca tive cachorro dentro de casa, só agora com a Bibi, que mora dentro do apartamento. E ela está sempre no pet shop tomando banho, mesmo assim tem dias em que cheira a pano sujo e tem hálito de bacalhau podre ou de cesto de lixo cheio.
Acho que foi essa neurose que nunca me aproximou tanto dos meus animais, salvo a gata Mimi que me acordava todos os dias e ronronava na minha barriga.
A minha primeira cachorra foi a Lady, um filhote de vira-latas que achamos num terreno baldio com o resto da ninhada, alguém abandonou os cachorrinhos lá. Ela foi minha companheira por muitos anos, até eu casar e sair da casa do meu pai. Eu fiquei com um filho dela o Plug, que era grande e fanfarrão, tenho uma foto dele já grande, bem maior do que ela, mamando na mãe. Ele foi atropelado com 1 ano e meio.
Depois de casada, também num apartamento, eu ouvi, do 11o. andar, um gatinho chorando. Não resisti e desci para pegá-lo. Dei comida e devolvi para a rua. A noite toda ouvimos o gatinho chorando e acabamos ficando com ele. Era a Mimi, a gata mais amada do planeta. Mas como gato não gosta de criança eu tentava mantê-la afastada das meninas, que gostavam de torturar os animais, não por maldade, mas por falta de jeito para lidar com eles, afinal, elas eram muito pequenas eu tinha medo de acidentes com a gata (arranhões). Ela ficou comigo por algum tempo, depois mudamos para uma casa, ela saía a noite e durante o dia dormia no meu colo, estava sempre comigo. Todo dia me acordava cedo, quando chegava da rua e não sossegava enquanto eu não abria a porta do quarto. Ela foi envenenada por vizinhos malvados.


Depois veio a Vitória, uma dálmata trazida de surpresa pelo Ronaldo. No começo me aborreci, a gente viajava muito, ela ia dar muito trabalho (era a minha neurose voltando). Mas eu me adaptei, gostei, brincava bastante com a Vicky, que ficava no quintal. Ela chamava a atenção de todos, pois veio na época do filme 101 Dálmatas. Da sua primeira cria ficamos com o Napoleão, grande, trapalhão, carinhos e uma fera quando se trata de proteger os seus donos. O Napô eu vi nascer, cuidei dele quando caiu da laje, quando perdeu a unha do pé, briguei quando comeu minhas plantas (e ele comeu todas, junto com os irmãos, só ficou a hortelã), quando comia lixo com fraldas cheias de coco, absorventes, etc. eu comprava ração importada e leite de vacas francesas e eles comiam lixo. Eles ficaram com a minha mãe em Santo André.
A Bibi eu comprei na floricultura, num domingo ensolarado, eu só ia comprar alguns vasos de flores e voltei com a Bibi e um saco de ração. Ela é salsicha, tipo da Cofap (Dashund).


A Bibi mora dentro de casa, mas ela é uma cachorra pacata, acho que é da raça. Considerando o meu jeito de ser, acho que ia enlouquecer se tivesse um cão como o Marley. Mas eu me apaixonei por ele e pelo relacionamento que tinha com o seu dono.
A Bibi é cachorra de madame, de ficar dormindo o dia todo, latir quando alguém chega (ela sempre late para todos, como se fossem ladrões ou bandidos ameaçadores, mesmo para nós, todos os dias quando entramos em casa).
Ela é chorona, parece uma mendiga ao pé da mesa pedindo comida durante as nossas refeições (e eu sempre dou, ao contrário do que dizem os livros de psicologia canina), se enfia debaixo das cobertas ou das almofadas do sofá como se estivesse no Canadá, a uma temperatura de menos dez graus. Ela parece o Cão Coragem, tem medo de tudo (ela chega a tremer de medo) e as vezes dá uma de alucinada e ataca as pessoas na rua, sem o menor motivo, pensando que os seus 20 centímetros de altura pertencem a um Pit Bull treinado para matar.
Mas ela me olha com um olhar desesperador, como se fosse a criatura mais carente do planeta e assim consegue ganhar muitos momentos de sono no meu colo ou ao meu lado no sofá. Ela sempre sabe quando fez algo errado, se escondendo debaixo da poltrona e dá saltos dignos de uma medalha olímpica tentando alcançar a pia para roubar comida, sempre em vão, sua estatura anã não permite.
Mas ela não costuma roer as coisas, só quando era filhote, nem fazer muita bagunça. Gosta de brincar de atacar, correndo atrás das pessoas e fingindo que morde (é, realmente em outra encarnação ela foi um Pit Bull). É namoradeira, mas sinto dizer: - Bibi, se depender de mim você vai morrer virgem!

Momentos

A vida é feita de pequenos momentos felizes. A felicidade está nas pequenas coisas, no dia a dia. É como uma conta de supermercado, onde vários objetos de pouco valor somam uma grande conta. Eu percebi que a minha vida é uma soma de vários momentos, aparentemente banais, mais de grande importância para mim, que me deixaram boas lembranças. Não é preciso estar em Bervely Hills para ser feliz, são as coisas simples que transformam a vida da gente em minha vida cheia de conquistas e realizações.


Eu também tenho boas recordações das viagens que fiz, até para lugares exóticos ou pouco visitados, mas não descarto os dias chuvosos que passei na casa da minha sogra, em Peruibe, montando quebra-cabeças e batendo papo. Ou os almoços de domingo com o meu avô, minha avó, minha mãe, meu pai, o Ronaldo e meus filhos, onde jogamos conversa fora por horas depois de comer. As noites chuvosas assistindo a filmes dramáticos, as tardes de férias, na minha infância, assistindo Sessão da Tarde, os momentos que convivi intensamente com o Dante nos seus dois primeiros anos de vida, fazendo suas papinhas, brincando sentada no chão, limpando suas sujeirinhas.
Passo bons momentos na minha casa, junto com o Ronaldo, a gente se diverte junto, vai para a cozinha fazer uma comidinha gostosa, conversa o tempo todo, eu jogo vídeo game com o Dante, leio, rego as plantas.

Uma coisa que eu sinto falta é de um jardim, adoro mexer na terra, cuidar das plantas, podar, trocar as mudas de lugar, ver as plantas crescerem e florescerem. Mas no apartamento a minha vida de jardineira se resume a alguns vasos e mesmo assim consigo me realizar com cada pequena florzinha nova que brota.
Eu percebi, depois de bater muito a cabeça, que quem faz os momentos e as experiências agradáveis somos nós. Cada um é responsável pela forma como encara o mundo, é responsável por cada momento vivido, pela escolha que fazemos ao encarar os fatos.


E é assim que eu espero que que seja o ano de 2009, cheio de pequenos momentos felizes e memoráveis, para mim e para todos.